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De Lula a Milei: A geopolítica que atravessa a América Latina e reverbera nas eleições da Espanha

O peso do Brasil nas eleições espanholas de 29 de novembro vão além da liderança do presidente Lula na geopolítica.

De Lula a Milei: A geopolítica que atravessa a América Latina e reverbera nas eleições da Espanha
Lula e Milei
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Segundo dados do CERA (Censo Eleitoral de Residentes Ausentes), a Espanha conta com 120 mil pessoas aptas a votar no Brasil. Trata-se de cidadãos natos ou com dupla cidadania que vivem em território brasileiro. Esse contingente forma o 9º maior colégio eleitoral fora da Espanha. São apenas 30 mil votantes a menos que o 3º maior agrupamento, localizado em Cuba. O número de eleitores residentes no Brasil é três vezes maior que o inverso: somos 40 mil brasileiros inscritos que, no último pleito, consagraram o 4º mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Todos esses dados combinados criam um clima político em que outros países ajudam a moldar o cenário espanhol. No total, são 2,8 milhões de votos além-mar, que fazem parte dos 35 milhões de eleitores. Ou seja, 8% do eleitorado está no exterior, e o que acontece fora pode ajudar a formar opiniões e até definir o resultado.

Partidos como o PP e o Vox são contrários ao direito ao voto fora do país e tentam, de forma ininterrupta, proibir o pleito à distância. Já conseguiram que os novos cidadãos espanhóis com residência no exterior, registrados entre 2023 e 2026 não possam votar. Em sua plataforma, contam ainda com pautas que inibem o direito à cidadania e as condições para viver na terra de Cervantes. São favoráveis ao corte de gastos que vai desde o fim do Ministério da Igualdade, à revisão das aposentadorias, ou ainda à forma de afastamento por doença no trabalho e outras conquistas sociais realizadas por governos progressistas.

Se o presidente Lula se tornou um baluarte para a esquerda espanhola, que inclusive adotou o sinal do L com as mãos como um símbolo de resistência, Javier Milei e sua motosserra espelham o pensamento fiscal da direita e da extrema direita. A Argentina ocupa o posto de país com o maior número de eleitores fora da península, com 430 mil. O que acontece em Mar del Plata também reverbera na Costa do Sol.

Mais dois países também provocam impacto direto no contingente eleitoral da Espanha: a vizinha França, com 229 mil votantes e seus enormes protestos por educação e saúde. Já atravessando o Atlântico, as urnas espanholas se encontrarão com cerca de 145 mil eleitores nos Estados Unidos. A vitória retumbante dos democratas trouxe oxigênio ao incumbente espanhol.

Depois do segundo acidente de trem em menos de um ano, com 69 mortes e nenhuma explicação, a campanha de Sánchez viu o Palácio da Moncloa ficar mais longe. Resta saber se a onda progressista iniciada no Brasil, e que segue abraçando o planeta, será suficiente para reconduzir o primeiro-ministro espanhol ao destino desejado.

Simone Sánchez Varella

Astúrias - Espanha

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