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Náutica

Universo náutico vai além da posse de embarcações e reúne novas experiências de lazer

Entre aluguel de lanchas, tecnologia a bordo e passeios no Lago Paranoá, a navegação oferece diferentes maneiras de aproveitar o tempo sobre as águas.

Universo náutico vai além da posse de embarcações e reúne novas experiências de lazer
Daniel Xavier fotografo
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Ter uma lancha deixou de ser a única maneira de viver o universo náutico. Entre passeios privativos, experiências gastronômicas a bordo e embarcações cada vez mais tecnológicas, navegar representa uma forma particular de aproveitar o tempo, reunir pessoas e descobrir destinos por outra perspectiva.

O interesse pelo lazer sobre as águas também movimenta uma indústria internacional que reúne fabricantes de embarcações, marinas, empresas de manutenção, turismo e serviços especializados. Segundo o International Council of Marine Industry Associations (ICOMIA), o setor náutico recreativo possui impacto econômico global estimado em US$ 300 bilhões.

Mais do que o tamanho de um iate ou o valor de uma embarcação, o universo náutico passou a oferecer experiências que combinam privacidade, conforto e liberdade.

O novo significado do luxo sobre as águas

Durante décadas, grandes iates foram associados à demonstração de riqueza. Embora continuem ocupando espaço importante nesse mercado, há diferentes maneiras de aproveitar a navegação sem necessariamente adquirir uma embarcação.

Alugar uma lancha para um passeio particular, participar de experiências organizadas por clubes náuticos ou reservar uma embarcação para uma comemoração são alternativas para quem deseja aproveitar o ambiente sem assumir os custos permanentes de propriedade.

A própria ICOMIA identifica o aluguel, os clubes e os modelos de propriedade compartilhada entre as possibilidades de ampliação do acesso à navegação recreativa.

Essa transformação também acompanha uma mudança na percepção do luxo. Para determinados consumidores, uma experiência exclusiva pode ter mais significado do que a posse de um bem de alto valor.

O conforto está na possibilidade de escolher o roteiro, o horário, a companhia e a maneira de aproveitar a viagem.

Brasília também tem seu universo náutico

Mesmo distante do litoral, Brasília possui um dos cenários mais conhecidos do Centro-Oeste para atividades sobre as águas: o Lago Paranoá.

A região reúne passeios de barco, navegação a vela, esportes aquáticos e atividades recreativas. O Ministério do Turismo reconhece experiências náuticas no lago, incluindo passeios de escuna, navegação nas proximidades da Ponte JK e atividades como caiaque, stand-up paddle e kitesurf.

O Lago Paranoá também possui uma política pública específica de incentivo ao setor. A Lei Distrital nº 6.868, de 2021, estabelece diretrizes para estimular atividades náuticas comerciais, esportivas, amadoras e profissionais.

A legislação contempla desde passeios turísticos em embarcações motorizadas até o aluguel de equipamentos de propulsão humana.

Para os moradores da capital, o lago oferece uma maneira diferente de observar Brasília. A arquitetura, as pontes e a paisagem urbana ganham outra dimensão quando vistas da água.

Um passeio ao entardecer, por exemplo, pode transformar um cenário cotidiano em uma experiência de lazer, sem a necessidade de viajar para o litoral.

Tecnologia começa a transformar as embarcações

A indústria náutica também acompanha mudanças tecnológicas relacionadas à eficiência energética, à navegação e à experiência dos passageiros.

Fabricantes e fornecedores desenvolvem soluções de propulsão elétrica e híbrida, além de sistemas digitais para monitoramento, gestão de equipamentos e navegação.

De acordo com a ICOMIA, a descarbonização está entre os principais desafios do setor. A entidade ressalta, entretanto, que não existe uma tecnologia única capaz de atender a todas as embarcações.

Uma lancha elétrica utilizada em trajetos curtos apresenta necessidades diferentes das de um iate projetado para longas viagens.

A autonomia das baterias, a disponibilidade de infraestrutura de recarga, o tipo de operação e os custos continuam influenciando a escolha das tecnologias.

Na experiência a bordo, a digitalização também abre espaço para sistemas mais integrados, capazes de acompanhar informações operacionais e facilitar o gerenciamento da embarcação.

O custo de ter uma lancha vai além da compra

Para quem considera entrar no universo náutico, o preço inicial da embarcação é apenas uma parte do investimento.

Manutenção, combustível, seguro, guarda em marina, limpeza e eventuais reparos são despesas que precisam fazer parte do planejamento.

A frequência de utilização também interfere na escolha entre comprar e alugar.

Uma pessoa que pretende navegar ocasionalmente pode encontrar no aluguel uma alternativa financeiramente mais adequada. Já quem utiliza a embarcação com frequência pode considerar a propriedade, desde que avalie os custos e as responsabilidades envolvidos.

Outro aspecto fundamental é a habilitação. No Brasil, a Marinha estabelece categorias específicas para a condução de embarcações de esporte e recreio.

A habilitação de Arrais-Amador, por exemplo, permite conduzir determinadas embarcações nos limites da navegação interior, enquanto a condução de motos aquáticas exige habilitação apropriada.

Independentemente do porte da embarcação, segurança, condições meteorológicas e cumprimento das normas de navegação devem fazer parte da experiência.

Uma experiência que começa antes do embarque

O mercado náutico reúne diferentes atividades e possibilidades de consumo.

Há espaço para quem procura uma experiência de poucas horas, para famílias que desejam aproveitar os fins de semana e para proprietários interessados em embarcações sofisticadas, tecnologia e navegação de longa distância.

Também existem oportunidades para empresas ligadas à gastronomia, hotelaria, turismo, manutenção e organização de experiências privadas.

Em Brasília, esse universo encontra no Lago Paranoá uma conexão entre lazer, arquitetura e estilo de vida.

A paisagem, a privacidade e a possibilidade de aproveitar a cidade por outra perspectiva ajudam a explicar o interesse que as atividades náuticas despertam.

No fim, a experiência não depende exclusivamente da potência do motor ou do tamanho da embarcação. O que torna a navegação especial pode ser algo mais simples: a possibilidade de desacelerar, reunir boas companhias e aproveitar um momento longe da rotina.

Daniel Xavier

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