Cancún pode sair mais barato que o Nordeste
Dez dias no Caribe mexicano, com passagens aéreas e hospedagem em hotel all inclusive à beira-mar, custaram R$ 7.600 por pessoa. Mas nem tudo foi sol e mar azul nessa viagem

Quando comecei a planejar minhas férias em setembro/outubro deste ano, uma coisa me chamou a atenção: viajar para o Caribe mexicano poderia custar menos do que passar dez dias em alguns dos destinos mais procurados do Nordeste brasileiro. Parece exagero? Pois foi essa a minha surpresa ao pesquisar os preços.
No fim de setembro, embarquei de Brasília para Cancún, no México, e passei dez dias por lá. O pacote, incluindo passagens aéreas de ida e volta e hospedagem em um hotel all inclusive, em frente ao mar, na Blvd Kukulcan, saiu por R$ 7.600 por pessoa.
Fazendo uma conta simples, foram R$ 760 por dia, com transporte aéreo, hospedagem, café da manhã, almoço, jantar, bebidas e outras comodidades incluídas.
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É claro que os preços variam conforme a época do ano, o destino, o hotel e a antecedência da compra. Mas a experiência mostrou que vale a pena ampliar as pesquisas antes de decidir para onde viajar. Às vezes, atravessar a fronteira pode ser mais vantajoso do que permanecer no Brasil.
Caribe ou Nordeste: quanto custa?
Para ter uma referência, vale olhar os preços de resorts all inclusive no Nordeste. Nossa procura inicial era para uma viagem por aqui mesmo no Brasil, aproveitando as praias e o clima do Nordeste. Mas, nossas expectativas começaram a minguar a medida que pesquisávamos as opções e preços.
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Em setembro de 2026, uma oferta divulgada para a Costa do Sauípe, na Bahia, apresentava pacotes com passagens aéreas e hospedagem à beira-mar a partir de R$ 2.574 por pessoa, em acomodação dupla. Já uma tabela da operadora Trade Tours anunciava cinco noites no Sauípe Sol Grand Premium, também em setembro, com voos saindo de São Paulo, traslado e sistema all inclusive. A tarifa divulgada para a categoria de apartamento duplo era de R$ 13.176.
As ofertas não representam uma comparação direta com os dez dias em Cancún, já que envolvem períodos, condições e cidades de embarque diferentes. Ainda assim, mostram que vale a pena colocar os números na ponta do lápis e comparar o custo total da viagem, não apenas o valor das passagens.
Muito além do hotel all inclusive
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Uma das grandes vantagens de Cancún é a quantidade de passeios disponíveis nos arredores. E, por mais confortável que seja um resort à beira-mar, ficar apenas dentro do hotel seria perder uma parte importante da experiência.
Reservei antecipadamente outros R$ 2.600 por pessoa para passeios, todos contratados daqui mesmo do Brasil, antes da viagem e para conhecer lugares que ajudaram a transformar a viagem em uma verdadeira imersão na cultura, na história e nas belezas naturais do México.
Um deles foi Isla Mujeres, uma ilha próxima a Cancún, onde o azul do Caribe parece ter sido tratado em algum aplicativo de edição de imagens. Mas não foi. A cor da água é realmente impressionante e a cidade é encantadora. Com um centrinho de aconchegante e uma vibe super gostosa.
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Fizemos um bate-volta de catamarã, com atividades no mar, tempo para aproveitar a praia e conhecer um pouco da ilha. Foi um dia cheio. Gostei tanto que, se pudesse escolher novamente, reservaria pelo menos dois dias para Isla Mujeres.
Outro passeio inesquecível foi Chichén Itzá, um dos sítios arqueológicos mais famosos do México e uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Estar diante da pirâmide de Kukulcán é uma experiência difícil de descrever. É impossível não pensar na sofisticação da civilização maia e em tudo o que aquele lugar representa.
O roteiro também incluiu a visita a dois cenotes, formação natural de água doce característica da Península de Yucatán, os Cenotes X Kokay e Cenote Yunchen. Mergulhar naquelas águas, cercadas por formações rochosas, foi uma experiência completamente diferente das praias do Caribe.
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Tulum também entrou no roteiro, com suas paisagens marcadas pelo encontro entre a história maia e o mar. Cozumel, outro destino conhecido pelas águas cristalinas e pela vida marinha, também esteve entre os passeios que fizemos.
E teve ainda a experiência com golfinhos, em Isla Mujeres. A interação contratada à parte e que durou cerca de dez minutos. Uma daquelas experiências que rendem fotografias e histórias.
O que ninguém conta antes de você viajar
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Viajar também é descobrir coisas que não aparecem nas propagandas.
Em Cancún, o que me chamou a atenção foi o sargaço nas praias. A alga marinha pode se acumular e está presente também nas praias do Caribe, dependendo da época e das condições do mar. Então, nem sempre a praia estará com aquela aparência impecável das fotografias.
Outra descoberta foi a importância de levar um equipamento realmente adequado para registrar imagens subaquáticas. As capinhas impermeáveis comuns para celular nem sempre são a melhor opção para quem pretende mergulhar e fazer vídeos com qualidade.
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E há uma terceira lição: o tempo pode não estar a favor do roteiro. Em Cancún, acompanhar a previsão meteorológica e manter alguma flexibilidade nos passeios faz toda a diferença. Enquanto estávamos lá, o passeio que contratamos para Cozumel foi adiado por duas vezes por causa do mal tempo.
No fim das contas, quanto custa conhecer Cancún?
No meu caso, os números ficaram assim:
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R$ 7.600 por pessoa: passagens aéreas de ida e volta e dez dias de hospedagem all inclusive.
R$ 2.600 por pessoa: passeios turísticos contratados à parte.
R$ 10.200 por pessoa: soma dos dois principais gastos da viagem, sem considerar despesas extras.
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É um valor que merece ser colocado na ponta do lápis, especialmente quando comparado a pacotes de férias em destinos brasileiros, nos quais passagens, hospedagem, alimentação e bebidas muitas vezes são cobradas separadamente.
A escolha de viajar no fim de setembro também teve seu peso, e não apenas financeiro: encontramos tarifas interessantes, mas enfrentamos dias de chuva.
No fim, viajar é justamente isso. Fazer escolhas, lidar com imprevistos e voltar com histórias que não estavam no planejamento.
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Viajar mais, gastar melhor
Voltei de Cancún com a sensação de que muitas vezes limitamos nossas possibilidades antes mesmo de pesquisar. Olhamos para um destino internacional e automaticamente imaginamos que ele estará fora do orçamento.
Nem sempre está.
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A experiência reforçou uma convicção que tenho levado para o @latitude K, meu perfil de viagens: conhecer o mundo não precisa ser sinônimo de luxo ou de gastos descontrolados. É possível descobrir lugares incríveis com planejamento, pesquisa e disposição para sair dos roteiros mais óbvios.
No @latitude K, compartilho os bastidores dessa viagem, os lugares que conheci, quanto paguei pelos passeios e o que realmente valeu a pena.
Afinal, uma viagem não termina quando a gente volta para casa. Ela continua nas histórias que temos para contar.
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Por Katia Maia | Monumental News
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