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Ciência

Cientistas usam foguetes para induzir raios e estudar descargas atmosféricas

Técnica utiliza fios metálicos para criar raios de forma controlada e permite testar materiais e sistemas de proteção contra descargas.

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Fotografia ilustrativa · Vídeo: Foto Ilustrativa

Cientistas ao redor do mundo estão disparando pequenos foguetes diretamente em direção a tempestades para, literalmente, "caçar" e domar relâmpagos. A técnica, conhecida no meio científico como relâmpago induzido por foguete (rocket-triggered lightning), permite que pesquisadores criem raios de forma controlada para estudar o fenômeno com alta precisão, algo impossível de prever na natureza.

O experimento funciona como uma espécie de para-raios dinâmico. Quando os meteorologistas identificam que as nuvens de uma tempestade atingiram uma carga elétrica crítica, um pequeno foguete de sondagem é lançado. O segredo do sucesso não está no projétil em si, mas no que ele carrega: um carretel que desenrola um fino fio de cobre ou aço, diretamente conectado a sensores no solo.

À medida que o foguete sobe em alta velocidade, o cabo metálico rasga o ar e funciona como um canal de baixa resistência. A eletricidade concentrada nas nuvens é instantaneamente atraída por essa linha condutora, gerando uma descarga violenta que viaja até a base de pouso. O impacto da corrente elétrica — que ultrapassa facilmente as dezenas de milhares de amperes — é tão brutal que o fio metálico é vaporizado instantaneamente, transformando-se em um rastro perfeitamente retilíneo de plasma luminoso que brilha intensamente antes de sumir no ar.

As imagens impressionantes que circulam na internet, mostrando raios caindo em linhas perfeitamente retas até o chão, vêm de bases científicas especializadas. Os principais polos desse tipo de estudo são o Centro Internacional de Pesquisa e Teste de Raios (ICLRT), na Flórida, e o Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências. Nesses locais, as bases de lançamento são cercadas por câmeras de altíssima velocidade, capazes de registrar milhares de quadros por segundo, além de sensores eletromagnéticos e de raios X.

Engana-se quem pensa que o experimento serve apenas para gerar vídeos impressionantes nas redes sociais. Controlar o momento e o local exato onde um raio vai cair permite que engenheiros testem a resistência de novos materiais de isolamento, aprimorem os sistemas de proteção de redes elétricas civis e descubram como proteger aviões e foguetes espaciais reais de descargas atmosféricas catastróficas durante os seus lançamentos.

Daniel Xavier

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