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Coluna de opinião

Após a eleição, cuidar do freio de arrumação

José Natal analisa a derrota do PL, os rumos de Flávio Bolsonaro e as pretensões políticas de Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro.

Afirmar, com todas as letras, que a carreira política do quase ex-senador Flávio Bolsonaro está no fim seria exagero. Precipitação e torcida contra, diriam os otimistas. Mas que assim parece, ninguém pode negar. Os fatos negativos estão contra ele, e outros virão.

Os primeiros sinais de peso, já na boca do povo e dos aliados mais próximos — quase todos —, estão sendo emitidos a conta-gotas, cientes de que, dessa fonte, água potável dificilmente sairá.

Maldosos, infiltrados do mal, segundo alguns poucos fiéis, já afirmam que o PL (Partido Liberal), sem querer ou por fragilidade intelectual, gerou, ao deus-dará, uma nova Viúva Porcina, aquela que um dia foi sem nunca ter sido. No caso aqui, também muito bem-amado por muitos.

Já cientes da realidade, conscientes de que contra fatos não há argumentos, caciques e até os “índios” do PL (Partido Liberal) entenderam e aceitaram a derrota nas eleições. Agora, cuidam para que, com zelo e capricho, erros e acertos durante a campanha sejam revistos. Outras virão.

Por ironia, uma falha ou conflito de neurônios fez Flávio, como um cordeirinho, cair na mesma esparrela em que o pai, Jair, um dia caiu, autodestruindo-se sem precisar de empurrão de ninguém.

Bolsonaro, eleito por um caminhão de votos, massacrando a oposição, julgou-se, de fato, um Messias e se viu dono do mundo, com tudo a seus pés. Flávio, imaturo, arrogante, agressivo e prepotente, abraçou-se aos demônios da Patagônia e, do colo do Tio Sam, achou-se eleito, encomendou a faixa e escolheu a suíte do Planalto.

Deu no que deu: fiasco.

Agora, tudo é passado. Vida que segue.

Com os pés no chão, embora ainda com alguma dor de cabeça, a cúpula do partido e aqueles com mais juízo do que agonias admitem a derrota, colocam em prática um freio de arrumação e olham para a frente, como tudo tem que ser.

Do alto de sua liderança, justa e conquistada por méritos, Tarcísio de Freitas, com sinceridade ou não — pouco importa —, admitiu a derrota, colocou-se na oposição e já se prepara para começar a ouvir seu nome, em ruas e becos, como provável ou potencial candidato à Presidência em 2030, com boa margem de apoio.

Em silêncio durante a barulheira que fizeram após a fuga de Flávio Bolsonaro, bebendo champanhe a bordo de aeronaves de astronautas, a senadora Michelle Bolsonaro se manifesta, com delicadeza e elegância, anunciando sua posição e a do marido sobre o episódio que o mundo acompanhou.

A exemplo do que fez durante toda a campanha, a ex-primeira-dama seguiu protocolo próprio: discrição absoluta e entusiasmo zero.

Os próximos meses vão dizer até onde suas pretensões palacianas e as do governador de São Paulo vão se encontrar. Muito cedo ainda. Qualquer desatenção pode ser a gota d’água.

Com a temperatura baixando — e deve baixar mesmo —, voltam as denúncias de ambas as partes, as lives ridículas e grosseiras dos “cientistas” políticos movidos a Johnnie Walker e Wyborowa, e tome xingamentos entre aqueles que amam mais o palavreado chulo e desconexo dos militantes do que a voz da própria família.

Política é saudável. Opinião é opção pessoal. O contraditório é e deve ser respeitado.

Do boteco ao buteco.

José Natal

Jornalista

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