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Coluna de opinião

Fuga de Flávio ajuda mais a adversários do que a aliados

Em coluna de opinião, José Natal analisa a saída de Flávio Bolsonaro do país e seus efeitos na disputa pela liderança da direita.

Fuga de Flávio ajuda mais a adversários do que a aliados
Foto de arquivo: Carlos Moura/Agência Senado, via Wikimedia Commons. Flávio Bolsonaro em 1º/09/2026. Recorte do acervo, CC BY-SA 4.0.
Origem da foto — · Licença —

O sonho de muitos brasileiros, durante décadas, foi juntar um dinheirinho e, quase sempre no final do ano, embarcar para a Flórida. Miami, considerada por muitos uma cidade maravilhosa, tornou-se símbolo desse desejo. Não muito longe dali estão os encantos da Disney World, um universo fascinante para adultos e crianças, onde reinam o esperto Mickey e o atrapalhado Pateta, narigudo e espalhafatoso.

Não foi exatamente a diversão que levou Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Sua fuga, digna de um roteiro de aventura ao estilo Indiana Jones, acabou produzindo uma cena que, para adversários e até alguns aliados, tem mais de comédia política do que de estratégia.

Se a intenção era encontrar o Mickey, foi a imagem do Pateta que saltou à frente. E o autoproclamado líder da oposição brasileira parece ter abraçado o personagem com entusiasmo.

Difícil imaginar uma jornada politicamente mais desastrosa.

Com milhões de votos conquistados nas urnas, o apoio de uma direita que chegou unida à disputa presidencial, deputados e senadores eleitos em todo o Brasil e um imenso campo político ainda por explorar, Flávio escolheu sair do país. E, de longe, apresenta-se como alguém capaz de devolver o Brasil aos brasileiros.

Haja cebola para tantas lágrimas.

Além de ampliar os questionamentos sobre sua própria situação, a decisão abre espaço para aqueles que já desejavam disputar o protagonismo da direita nas próximas eleições. Afinal, o afastamento de uma liderança que reuniu milhões de votos inevitavelmente movimenta o tabuleiro político.

Alguns nomes já estão na pista, aguardando o tiro de largada.

Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro, Ronaldo Caiado e outras lideranças passam a encontrar um cenário diferente daquele que se desenhava até poucos dias atrás. Sem Flávio ocupando o centro das articulações, a disputa por espaço e influência tende a ganhar novos capítulos.

Do outro lado, o PT observa os acontecimentos com evidente interesse político. A saída do principal adversário da disputa presidencial pode oferecer ao partido novas possibilidades de articulação e reorganização de sua estratégia.

Dias frenéticos pela frente.

Tarcísio de Freitas sempre demonstrou habilidade política e capacidade de articulação. Se ainda não avançou de maneira mais contundente na disputa pela liderança da direita, muito disso pode ser atribuído ao peso político de Jair Bolsonaro e às relações construídas dentro desse campo.

Agora, com Flávio nos Estados Unidos e o futuro de sua atuação política cercado de incertezas, o cenário começa a se redesenhar.

A direita terá de decidir se permanece à espera de seu candidato derrotado ou se inicia, desde já, a construção de uma nova liderança.

Em tempo: o resultado das eleições foi reconhecido pelas instituições responsáveis pelo processo eleitoral. Questionamentos precisam ser acompanhados de provas, não apenas de inconformismo com as urnas.

O resto é dor de cabeça de quem ainda não se recuperou da ressaca eleitoral.

Faz parte.

José Natal

Jornalista

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