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Coluna de opinião

Derrota de Trump nas eleições dos EUA provoca críticas e ironias no cenário político mundial

José Natal analisa a rejeição a Trump nas urnas e os possíveis reflexos do resultado nas relações internacionais e com o Brasil.

Derrota de Trump nas eleições dos EUA provoca críticas e ironias no cenário político mundial
Ilustração · Arte gerada com ia - Daniel Xavier
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É bem verdade que 2 ou 3 a cada 10 brasileiros, se perguntados, saberão explicar bem o que aconteceu nas eleições americanas, antes, durante ou depois da goleada acachapante que o Partido Democrata aplicou (ou está aplicando) ao rival republicano, loteando sem dó e com ironia um percentual gigantesco das cadeiras em todo o Congresso Nacional daquele país.

Pouco importa a essa minoria com saber político entender esse ou aquele detalhe burocrático que domina o pleito por lá, ou de que forma isso acontece agora, ou acontecerá amanhã ou depois. Importa, sim, e agrada à maioria, a tão esperada alternância de poder após meio século de domínio, e que, ao que tudo indica, melhora a construção de pontes diplomáticas e comerciais com o nosso país.

Aliados e adversários do trumpismo, juntos ou separados no ambiente parlamentar americano, de pronto já entenderam que pode mesmo estar chegando ao fim, ou perto disso, o absolutismo radical e dominante de Donald Trump, impondo vontades e aplicando leis à sua escolha, pouco se importando com a opinião do Congresso do país, tido como um dos mais democráticos do globo.

Brian Winter, jornalista, analista político e conhecido por ter adquirido amplo conhecimento da política latino-americana, com segurança e certeza de opinião, cita que o resultado das eleições iniciadas no último dia 3 sentenciou Trump à sua maior derrota política em toda a sua trajetória.

Winter, editor da revista Americas Quarterly, com mais de 25 anos de carreira (trabalhou dez anos no Brasil), admite que o fato pode ter sinalizado a Trump um futuro político duvidoso, até hoje nunca admitido pelo presidente dos Estados Unidos e todos ao seu redor.

Evidente que o resultado de eleições nos Estados Unidos, em quaisquer circunstâncias, repercute em todos os continentes. Naquele país estão eleitores que ocupam 50 estados, e ainda aqueles sediados na capital, Washington. Somente na Califórnia são 39,3 milhões, vindo a seguir o Texas, com 31 milhões, a Flórida, em torno de 23 milhões, e Nova York, 20 milhões.

O manifesto desse gigantismo de pessoas, lideradas por um presidente que reivindica o Nobel da Paz e atiça conflitos entre vizinhos de fronteiras, arremete a comunidade mundial a uma desordem de pensamentos constante.

Nesse balaio de questionamentos sobre o que motivou tantas cenas explícitas de desagravo à gestão Trump, ainda há muitas perguntas sem respostas ou motivos claros. Nas redes sociais, na mídia mundial ou mesmo nos aconchegos domésticos, centenas de motivos alegados, nenhuma conclusão que obtenha consenso.

Os votos pela rejeição pipocaram de todas as vertentes da sociedade, desde o inconformismo dos jovens e negros, passando pela covarde e repugnante política de imigração, até a desleal manifestação internacional de taxação de impostos às nações, algumas jamais punidas em outras gestões.

As guerras com o Irã, Ucrânia, conflitos com países do Oriente Médio e alianças de toda ordem com Israel e suas lideranças também estão na balança que mede o peso das relações de Tio Sam com o resto do mundo.

Como sempre faz, às vezes até zombando daqueles que o criticam, Trump não assume a condição de derrotado, ironiza a crítica e aposta na chamada "crise passageira", culpando a imprensa por sensacionalismo.

O mundo sabe que não é bem assim. Essa derrota fará estragos, sim, e muito.

No que cabe ao Brasil, analistas com mais estrada já citam possíveis arranhões nas relações entre direitistas dos dois países, incluindo aí a leva de brasileiros envolvidos com problemas na Justiça, amoitados por lá com o aval dissimulado do presidente e assessores.

Desse grupo, faz parte uma parcela considerável de políticos (e ex-políticos) de renome em nosso país. A essa altura do campeonato, todos eles com um olho na validade do passaporte e outro nas porteiras das fronteiras mais próximas.

Cedo ainda para uma real e definitiva avaliação do estrago que esse manifesto possa ter gerado aos derrotados. Imenso também o grau de contentamento de várias nações pelo revés imposto a Trump, ironicamente taxado de "pato manco" das Américas.

A distribuição de carapuças para encaixar na cabeça dos culpados já começou. São muitas.

José Natal - Jornalista

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