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Finanças e negócios

Vice-presidente do BCE defende integração europeia para enfrentar choques econômicos

Em discurso em Dublin, Boris Vujčić propõe reduzir barreiras internas e avançar na união bancária e no mercado de capitais para preservar a abertura da Europa.

Vice-presidente do BCE defende integração europeia para enfrentar choques econômicos
Vice presidente do BCE
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O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Boris Vujčić, defendeu nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, uma integração mais profunda dos mercados europeus como resposta aos riscos geopolíticos e às turbulências econômicas. Em discurso na Conferência do Sistema Financeiro do Banco Central da Irlanda, em Dublin, afirmou que a Europa deve fortalecer sua capacidade de absorver choques, em vez de reduzir sua abertura ao comércio e aos investimentos internacionais.

Segundo Vujčić, conflitos, tarifas comerciais e restrições à exportação de tecnologias e matérias-primas têm efeitos sobre crescimento, inflação e estabilidade financeira. Esses impactos podem chegar aos bancos por meio de perdas e custos maiores de captação, com potencial para restringir o crédito. Embora o sistema financeiro tenha resistido aos episódios recentes, ele alertou que esse desempenho não elimina o risco de mudanças abruptas.

Para o dirigente, parte da vulnerabilidade europeia está nas barreiras entre os próprios países do bloco. Diferenças em regras, padrões e procedimentos dificultam a atuação de empresas além das fronteiras nacionais e encarecem negócios dentro do mercado único.

Vujčić citou estimativas do BCE segundo as quais essas barreiras equivalem a tarifas de cerca de 67% para bens e 95% para serviços. O vice-presidente ressaltou que os números representam o limite superior das estimativas, e não tarifas efetivamente cobradas.

Na avaliação apresentada no discurso, reduzir as barreiras internas a bens e serviços em apenas 2% poderia, no longo prazo, compensar o impacto projetado das tarifas mais altas dos Estados Unidos sobre o Produto Interno Bruto da zona do euro. Esse efeito negativo é estimado em aproximadamente 0,7 ponto percentual entre 2025 e 2027. Trata-se de uma estimativa citada pelo dirigente, não de um resultado já observado.

Mercados financeiros e divisão de riscos

O vice-presidente do BCE argumentou que mercados financeiros mais integrados ajudariam a distribuir perdas e sustentar investimentos quando um país fosse mais atingido por uma crise. Investidores com ativos em diferentes economias e bancos com atuação internacional poderiam contribuir para amortecer esses efeitos.

Pesquisas do BCE mencionadas no discurso indicam que cerca de 70% dos choques na produção dos estados americanos são absorvidos por mercados e transferências fiscais. Na zona do euro, essa proporção fica em aproximadamente 30%, com os mercados de capitais respondendo pela absorção de apenas 5% a 10% dos choques.

Vujčić também apontou uma diferença no financiamento de empresas em expansão: segundo os estudos citados, fundos de capital de risco dos Estados Unidos investem cerca de seis vezes o volume aplicado por fundos sediados na União Europeia. O capital estrangeiro cobre parte dessa lacuna, mas, na avaliação do dirigente, aumenta a possibilidade de startups europeias transferirem sedes ou propriedade intelectual para fora do bloco, ou abrirem capital em outros mercados.

Entre as medidas defendidas estão a conclusão da união bancária, com um sistema europeu de garantia de depósitos, e a harmonização de regras para lidar com crises bancárias e insolvências. Ele também propôs avançar na integração dos mercados de capitais e na harmonização dos impostos retidos na fonte. As iniciativas foram apresentadas como prioridades, não como novas decisões aprovadas na conferência.

Energia e infraestrutura de pagamentos

A dependência energética foi outro ponto central da exposição. Segundo Vujčić, a União Europeia importa 57% da energia que consome e quase todo o seu petróleo e gás. O bloco diversificou fornecedores após a invasão russa da Ucrânia, mas, de acordo com ele, essa mudança não foi suficiente para evitar os efeitos das tensões no Oriente Médio em 2026.

O dirigente defendeu um mercado de energia mais interligado e baseado principalmente em fontes renováveis, para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e sua influência sobre os preços da eletricidade.

Na área de pagamentos, apontou o euro digital como parte da resposta à dependência de fornecedores não europeus. Também citou o lançamento do Pontes, em setembro, como um marco para a infraestrutura europeia de pagamentos digitais no atacado.

A mensagem central do discurso foi que integração, resistência a crises e abertura econômica se reforçam mutuamente. Para Vujčić, a Europa não controla as políticas comerciais de outros países, mas pode reduzir suas próprias barreiras e fortalecer os mecanismos internos de proteção contra choques.

Fontes e transparência

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