Calor pode reduzir trabalho equivalente a 2,46 milhões de empregos em três países africanos até 2040
Estudo da OIT projeta perdas de US$ 67 bilhões no PIB de Etiópia, Gana e Senegal; agricultura e construção estão entre os setores mais expostos.

O calor excessivo pode provocar uma redução nas horas trabalhadas equivalente a 2,46 milhões de empregos em tempo integral na Etiópia, em Gana e no Senegal até 2040. A projeção é de um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apresentado pela ONU News nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026. Para o mesmo horizonte, a estimativa de perdas no Produto Interno Bruto (PIB) dos três países soma US$ 67 bilhões.
Os números expressam o impacto estimado do estresse térmico sobre o tempo de trabalho e a atividade econômica. Não representam, necessariamente, a mesma quantidade de demissões. Segundo a OIT, a elevação das temperaturas já compromete a saúde dos trabalhadores, a produtividade e o desempenho das economias analisadas.
Na Etiópia, o impacto do calor no ambiente de trabalho em 2023 correspondeu à perda de mais de 1 milhão de empregos, com cerca de três quartos desse total concentrados na agricultura. A projeção para 2040 alcança o equivalente a 1,78 milhão de vagas afetadas.
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Em Gana, o estudo aponta perdas superiores a 345 mil vagas em 2023, com possibilidade de chegar a 550 mil até 2040. No Senegal, o impacto registrado foi de 72 mil postos, e a estimativa apresentada é de 129 mil na próxima década.
Agricultura e construção civil estão entre as atividades mais vulneráveis por envolverem esforço físico e exposição ao calor. Os efeitos, porém, também atingem transportes, comércio, serviços e trabalhadores da economia informal, conforme o estudo.
As perdas projetadas no PIB até 2040 são de US$ 33,3 bilhões na Etiópia, US$ 23,2 bilhões em Gana e US$ 10,5 bilhões no Senegal.
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Para a diretora regional da OIT para a África, Fanfan Rwanyindo Kayirangwa, o estresse térmico não se limita a uma questão ambiental: proteger os trabalhadores também significa preservar fontes de renda, empresas e a sustentabilidade das economias.
Entre as medidas recomendadas pela organização estão reorganizar os horários de trabalho para evitar os períodos mais quentes do dia, estabelecer ciclos de descanso e reforçar a fiscalização das condições laborais.
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