Landsat 8 registra cores do outono no “Grand Canyon da Pensilvânia”
Imagens divulgadas pelo Earth Observatory da NASA mostram a transformação da vegetação em Pine Creek Gorge, desfiladeiro que chega a cerca de 460 metros de profundidade.

O satélite Landsat 8, da NASA e do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), registrou as cores do outono em Pine Creek Gorge, conhecido como o “Grand Canyon da Pensilvânia”. A imagem, captada em 25 de outubro de 2026 pelo sensor OLI, foi destaque do Earth Observatory da NASA em 2 de novembro.
Localizado na porção centro-norte do estado americano, o desfiladeiro atravessa as florestas do Planalto de Allegheny por aproximadamente 72 quilômetros. Seu percurso vai de Ansonia, em direção ao sul, até o encontro do Pine Creek com o braço oeste do rio Susquehanna. As maiores profundidades, de cerca de 460 metros, ficam nas proximidades de Waterville.
Segundo o Earth Observatory, a paisagem se diferencia dos cânions do sudoeste desértico dos Estados Unidos pelas encostas cobertas de vegetação, em vez de grandes paredões rochosos expostos. No outono, parte do verde dá lugar a tons vermelhos e dourados. A comparação entre registros do Landsat 8 de 9 e 25 de outubro de 2026 mostra o avanço dessa mudança nas florestas ao redor do desfiladeiro.
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A formação de Pine Creek Gorge está ligada à última era glacial, mas não foi o gelo que escavou diretamente o vale. Conforme explica a publicação da NASA, o Pine Creek corria originalmente para o norte. O avanço das geleiras pelo nordeste bloqueou o rio e formou lagos, que posteriormente transbordaram e passaram a escoar para o sul.
Com o recuo do gelo, o curso do rio já se aprofundava nessa nova direção. Rochas e areia deixadas pelo degelo dificultaram o retorno da água ao trajeto anterior, enquanto o fluxo de água das geleiras continuou a aprofundar e modelar o vale.
A cobertura florestal também passou por uma transformação histórica. A exploração de madeira, intensificada no início do século 19, utilizou os pinheiros-brancos para a fabricação de mastros de navios e a casca das tsugas no curtimento de couro. Antes das ferrovias, as toras eram transportadas pela correnteza até o Susquehanna. No começo do século 20, décadas de extração haviam deixado a região tão desmatada que ela recebeu o apelido de “Deserto da Pensilvânia”, relata o Earth Observatory.
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Desde então, a floresta se recuperou. A área voltou a abrigar animais como ursos-negros, coiotes, linces-vermelhos, cascavéis e diversas aves canoras. Em 1968, uma área de aproximadamente 12 mil hectares foi reconhecida como National Natural Landmark, designação americana de patrimônio natural. Hoje, parques estaduais e a Pine Creek Rail Trail estão entre os pontos de onde é possível conhecer a paisagem do desfiladeiro.
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