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Saúde

Doação de leite materno não amplia perda óssea em mães avaliadas pela Unesp

Pesquisa acompanhou 77 mulheres e identificou recuperação da densidade mineral óssea entre seis e 12 meses após o parto nas doadoras.

Doação de leite materno não amplia perda óssea em mães avaliadas pela Unesp
Doação de leite materno
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Mulheres que doam leite materno não apresentaram perda de massa óssea maior do que aquelas que amamentam apenas os próprios filhos em um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu. Segundo informações divulgadas pela Agência SP, a pesquisa acompanhou 77 mulheres entre julho de 2020 e março de 2023 e teve os resultados publicados no Jornal de Pediatria.

O trabalho foi coordenado pela professora Tamara Beres Lederer Goldberg, com duas orientandas de doutorado do Programa de Pós-graduação em Tocoginecologia. A equipe investigou se a produção de leite excedente para doação a bancos de leite humano poderia intensificar a perda óssea associada à amamentação.

Das participantes, 38 amamentavam somente os próprios bebês e 39 também doavam leite. Na comparação feita aos seis meses após o parto, as pesquisadoras não encontraram diferença nos resultados de massa óssea entre os grupos, contrariando a hipótese inicial de que um volume maior de leite produzido provocaria maior perda.

Como foi feita a pesquisa

As participantes tinham entre 18 e 38 anos, estavam na primeira gestação, considerada de risco habitual, e tiveram bebês nascidos a termo, com peso adequado para a idade gestacional. Mulheres com obesidade ou doenças capazes de interferir no metabolismo ósseo não foram incluídas.

O grupo que não doava leite passou por avaliações aos 15 dias e aos seis meses após o parto. As doadoras foram examinadas aos seis e aos 12 meses. Os procedimentos incluíram medição do índice de massa corporal (IMC), densitometria da coluna lombar, do fêmur proximal total e do corpo inteiro, além de exames de sangue para avaliar minerais, hormônios e marcadores do metabolismo ósseo. O volume de leite doado também foi registrado.

Entre seis e 12 meses após o parto, as doadoras apresentaram aumento de 5% na densidade mineral óssea da coluna lombar e de 1,5% na do fêmur. Nesse período, elas já praticavam o aleitamento complementado. Não houve alteração significativa do IMC.

Os exames de sangue também indicaram uma tendência de recuperação óssea. Um dos achados foi a redução do CTX, marcador relacionado à degradação do colágeno dos ossos. Em conjunto com a queda da fosfatase alcalina óssea, o resultado sugere diminuição da atividade de remodelação óssea.

Após ajustes estatísticos, a comparação entre as doadoras aos 12 meses e as não doadoras aos 15 dias apontou tendência de retorno da densidade mineral óssea às médias observadas na primeira quinzena depois do parto. Os resultados se referem ao perfil de mulheres selecionado para o estudo.

Por que a amamentação afeta os ossos

Durante a gravidez e a lactação, aumenta a necessidade de cálcio para a formação do esqueleto do bebê e a produção de leite. Quando a disponibilidade do mineral no organismo materno é insuficiente, ele pode ser retirado dos ossos.

Segundo o texto divulgado pela Agência SP, a perda de massa óssea pode variar de 3% a 10% nos primeiros quatro meses de amamentação. A recomposição ocorre com a introdução da alimentação complementar do bebê, a normalização hormonal e o retorno da menstruação.

“Os resultados mostram que há uma ‘agressão’, mas a perda de massa óssea é transitória”, afirma Tamara. Para a pesquisadora, os dados indicam que a doação não agrava esse efeito em relação à própria amamentação.

Ingestão de cálcio merece atenção

Embora esse não fosse o objetivo principal da pesquisa, a equipe constatou baixa ingestão de cálcio pela alimentação entre as participantes. Elas também não haviam recebido suplementação de cálcio ou vitamina D durante a gravidez, conforme o relato do estudo.

Tamara coordena ainda uma investigação sobre a perda de massa óssea ao longo da gestação em mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Botucatu. A proposta é identificar os períodos mais críticos e produzir informações que possam orientar políticas públicas.

Os achados não alteram a recomendação de aleitamento materno citada no documento: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação deve ser exclusiva até os seis meses de vida e complementada até os dois anos ou mais. A pesquisadora destaca a importância do acompanhamento profissional e da rede de apoio para a saúde da mãe e a continuidade da amamentação.

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