Desenrola 3.0 abre chamamento para bancos apresentarem dívidas à União
Instituições financeiras terão cinco dias úteis para informar carteiras disponíveis; etapa não abre renegociação para consumidores.
Uma portaria publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União abriu o chamamento de instituições financeiras interessadas em vender carteiras de dívidas ao governo na primeira etapa do Desenrola 3.0. Segundo a Agência Brasil, os credores terão cinco dias úteis para informar os débitos que pretendem oferecer. O procedimento busca dimensionar o interesse das instituições e o volume de dívidas por faixa de renda, sem iniciar o atendimento aos consumidores.
O edital é destinado a bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Para avançar à etapa seguinte, os participantes deverão apresentar carteiras compatíveis com os critérios do programa e aceitar o desconto mínimo exigido, de 90% sobre o valor nominal dos débitos.
Em 21 de outubro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimou que os credores poderão apresentar R$ 90 bilhões em dívidas antigas nessa primeira chamada. Se a União adquirisse todo esse montante com o desconto mínimo, o desembolso seria de até R$ 9 bilhões. A estimativa não representa uma compra já definida: o governo pretende estabelecer um orçamento para o leilão e não necessariamente adquirirá todas as carteiras oferecidas.
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Após receber as informações, o governo deverá analisar o volume de débitos e organizar a disputa por faixas de renda. O leilão está previsto para novembro, com possibilidade de adiamento para o início de dezembro. Segundo Durigan, a intenção é favorecer devedores de menor renda e microempreendedores individuais (MEIs). Caso a oferta de dívidas de baixa renda fique abaixo do esperado, o governo poderá ampliar a compra de débitos de pessoas com renda mais alta.
A concorrência entre os credores poderá levar a descontos superiores ao piso de 90%. Conforme as carteiras apresentadas, o governo poderá pedir deságios de 93% a 95% no leilão.
Quais dívidas poderão entrar
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Criado por medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro, o Desenrola 3.0 prevê que a União compre dívidas antigas para viabilizar sua posterior renegociação com os consumidores.
As condições previstas incluem débitos de até R$ 10 mil, considerado o valor original, com atraso entre 720 e 1.645 dias — aproximadamente dois anos a quatro anos e meio. Poderão ser incluídas dívidas de cartão de crédito, nas modalidades rotativa e parcelada, e de crédito pessoal sem consignação em folha. O programa admite débitos elegíveis de pessoas físicas e MEIs, conforme suas regras.
No lançamento, o governo estimou um universo de até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis, com desembolso aproximado de R$ 15 bilhões. Já a projeção de R$ 90 bilhões se refere à expectativa de apresentação de carteiras nesta primeira chamada, e não ao total potencial do programa.
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Renegociação ainda depende de regras
Depois do leilão, os débitos comprados pela União poderão ser renegociados com repasse dos descontos obtidos na aquisição. Está prevista a possibilidade de quitação à vista ou de pagamento parcelado, com cobrança de juros no parcelamento.
Prazos, taxas e outras condições operacionais ainda dependem de definições do Conselho Monetário Nacional (CMN) e da regulamentação aplicável. Segundo as informações divulgadas pela Agência Brasil, os consumidores não precisam procurar os bancos nesta etapa. As regras e os procedimentos de acesso às renegociações ainda serão anunciados pelo governo.
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